Microbiota intestinal e sistema imune


A ocorrência de doenças autoimunes, inflamatórias, metabólicas, neurodegenerativas e neoplásicas tem aumentado muito nas últimas décadas e, atualmente, sabe-se que a disbiose intestinal está presente na maioria dos casos. Se as alterações no microbioma são causa ou consequência, há ainda muito o que se discutir; o fato é que os microrganismos que vivem no intestino modificam a resposta imunológica e alteram o risco de doenças. Estruturas bacterianas como o lipopolissacarídio (LPS), peptidoglicano, flagelina e diversas moléculas levam à produção de peptídeos antimicrobianos, IgA e muco pelas células do trato gastrintestinal.

Quando o lipopolissacarídio (LPS), presente em bactérias gram-negativas, atravessa o intestino e alcança o sangue, liga-se a Toll-like receptors (TLR) do tipo 4 (TLR4) de células imunológicas – e de várias outras – e gera uma resposta inflamatória, por meio da ativação do fator nuclear kappa B (NF-kB). Um padrão alimentar não saudável, especialmente rico em gorduras e açúcares, aumenta a permeabilidade intestinal e, assim, a passagem de LPS para o sangue. Cronicamente, instalar-se-á um quadro de inflamação de baixo grau.

O peptidoglicano é outro composto bacteriano com importância imunológica. Está presente em grande quantidade em bactérias gram positivas e estimula a produção de peptídeos antimicrobianos e muco pelas células intestinais, ao se ligarem a NOD-like receptors (NLR). Lactobacillus e Bifidobacterium são exemplos de bactérias gram-positivas.

A flagelina é mais uma estrutura presente em bactérias que vivem no intestino. Estimulam o TLR5 e favorecem a produção de IL-22 por células linfoides inatas do tipo 3 (ILC3), com aumento na produção de peptídeos antimicrobianos pelo epitélio intestinal. O curioso é que essas ILC-3 apresentam receptores para ácido retinoico (RXR, RAR), ativados pela vitamina A, e para aril hidrocarbonetos (Ahr, Arnt), ativados pelos sulforafanos presentes em crucíferas (brócolis, couve-manteiga, couve-flor, etc.).

Outros componentes presentes nos microrganismos também estimulam a produção de IgA secretória pelos linfócitos B, por intermédio dos linfócitos T foliculares. Os probióticos, por exemplo, aumentam a produção de IgA, com melhora da imunidade de mucosas.

O equilíbrio na microbiota intestinal favorece a produção de ácidos graxos de cadeia curta (butirato, acetato, proprionato), que apresentam importante efeito anti-inflamatório e atuam na integridade de mucosas. Lactobacillus e Bifidobacterium são produtores desses ácidos graxos e ambos os gêneros têm seu crescimento estimulado por fibras, polifenóis, gordura insaturada, proteína vegetal, carboidratos provenientes das frutas, lactose (nos tolerantes). Quando há uma microbiota intestinal saudável, todas essas respostas ocorrem de forma coordenada. O crescimento excessivo de um grupo de bactérias leva à morte de outro, prejudicando a regulação do sistema imunológico. Dessa forma, poderá haver menor proteção contra patógenos, maior risco de autoimunidade, alergias e doenças inflamatórias.

O exercício físico regular aumenta não apenas a diversidade microbiana (ótimo!), mas também a proporção de bactérias produtoras dos ácidos graxos de cadeia curta.

O que causa disbiose?

Destacam-se o excesso de gorduras (saturadas), proteína animal, açúcares, falta de fibras, adoçantes, emulsificantes, álcool, sedentarismo, xenobióticos, obesidade, uso indiscriminado de antibióticos, anti-inflamatórios e antiácidos, alterações digestivas e deficiências nutricionais.

O que promove a eubiose?

Fibras, amido resistente, polifenóis, proteínas vegetais, gorduras insaturadas e carboidratos presentes em fontes vegetais in natura, treinamento físico regular, uso racional de medicamentos, entre outros fatores. A suplementação de glutamina, probióticos, vitaminas e minerais também pode atuar na eubiose, desde que sejam utilizados estrategicamente.

Um padrão alimentar saudável representa o equilíbrio e a moderação. Não é um alimento isolado que causará qualquer disbiose, mas uma recorrência e predominância do mesmo.

Referências

-Nat Rev Immunol. 2017;17(4):219‐232.

-J Transl Med. 2017;15(1):73.

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